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AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

Deuses ou Enteais? Mito ou realidade?

“ Vi por mandado da santa & geral inquisição estes dez Cantos dos Lusiadas de Luis de Camões, dos valerosos feitos em armas que os Portugueses fizerão em Asia & Europa, e não achey nelles cousa algűa escandalosa nem contrária â fe & bõs custumes, somente me pareceo que era necessario aduertir os Lectores que o Autor pera encarecer a difficuldade da nauegação & entrada dos Portugueses na India, usa de hűa fição dos Deoses dos Gentios. E ainda que sancto Augustinho nas sas Retractações se retracte de ter chamado nos liuros que compos de Ordine, aas Musas Deosas. Toda via como isto he Poesia & fingimento, & o Autor como poeta, não pretende mais que ornar o estilo Poetico não tiuemos por inconueniente yr esta fabula dos Deoses na obra, conhecendoa por tal, & ficando sempre salua a verdade de nossa sancta fe, que todos os Deoses dos Gentios sam Demonios. E por isso me pareceo o liuro digno de se imprimir, & o Autor mostra nelle muito engenho & muita erudição nas sciencias humanas. Em fe do qual assiney aqui. “

 

Frei Bertholameu Ferreira.

 

***

O poema épico que canta os feitos da Lusitana gente, nos idos gloriosos da época dos descobrimentos, novos mares, terras e gentes, sob os auspícios da Ordem de Cristo, está imbuído de uma geração de deuses, antigos mas vivos no imaginário do poeta, que à época se tornava heresia, não fora o censor da santa inquisição ter dado um parecer mui diplomático para que a obra não fosse censurada.

Polémica na aceitação da chamada mitologia, chamada, porque à luz da narrativa cristã o que se passava nessa mitologia era um atentado à dignidade humana, histórias que a mitologia sustentava, um eco contrário ao primeiro mandamento da Lei de Deus, “Não terás outros deuses a Meu Lado! “; assim sustentavam os seguidores dos mandamentos, ciosos dos seus compromissos para com a divindade em público, mas tolerantes no círculo da sua intimidade.

 

Estava mais perto o eco do “faz o que te digo, não faças o que eu faço”.

 

É de estranhar que a pátria da civilização ocidental, Grécia, que tanto contribuiu para o florescimento da cultura europeia e através desta, universal, no campo da democracia, organização e justiça, na filosofia, lógica e dialética, nas ciências, aritmética e astronomia, aceitassem uma religião que, paradoxalmente, contribuía com mitos e superstições na alma culta deste povo, com um panteão deveras profícuo.

Também é de estranhar que a portentosa Roma que herdou e adaptou a cultura grega ao seu engenho construtivo e organizacional, professasse pelas mesmas vias essa cultura religiosa, que para muitos dos hipotéticos sabedores das novas realidades da religião não passavam de mitos obscuros de um povo sem horizontes e por tal, merecedores de evangelização.

Não pertence, contudo, à Grécia e a Roma, o domínio dos deuses, outros povos, distantes entre si, professavam os mesmos deuses, com outros nomes, mas com os mesmos conceitos, culturas diferentes e mitos diversos. É certo que o homem a tudo adultera no cumprimento do seu anseio de poder, também aqui passou o halo nefasto desse mau hábito e a deturpação do conceito de “deuses” e da sua obra foi deturpada por uns e cegamente combatida por outros.

Nem por isso o Olimpo dos Gregos ou o Valhala dos Germânicos perdeu o seu lugar na Criação e o seu esplendor no ápice das criações, logo abaixo do Paraíso espiritual, pátria dos espíritos humanos, desempenhando o destino ao qual foi ligado desde tempos imemoriais. O Olimpo permanece o que é e o que sempre foi, independentemente do querer intelectualizado ou anseio do homem, para sustento desta ou daquela via filosófica, que no tempo muda segundo a evolução do bem-querer.

O conhecimento evolui no tempo desmontando conceitos e adaptando as novas gerações a novos conhecimentos, que originam outros conceitos… e assim será sempre o ciclo do conhecimento…

 

Mas nem só de pão vive o homem, e os novos horizontes da espiritualidade esperaram milénios até desabrochar o conhecimento acerca dos supostos deuses que afinal não passam de fiéis servidores do Eterno, contribuindo para a sustentabilidade das materialidades visíveis e invisíveis, senhores dos elementos e da natureza, amigos do ambiente e que para ele trabalham diligentemente para que o homem possa tirar usufruto desse labor e possa ser feliz no seu meio, meio esse, que os humanos tão afincadamente destroem para sustentar as suas sociedades sedentas de consumo cada vez mais célere.

O papel do homem na Criação é destrutivo e degradativo, mais do que as histórias da assim chamada mitologia, todos os Deoses dos Gentios sam Demonios, mas o seu lugar deveria ser de hóspede amado.

 

Entealidade, o novo horizonte no Milénio!

 

O Altíssimo a tudo rege com o Seu halo de vida e sustenta todas as Suas criaturas, que no cumprimento de Sua Vontade, cumprem o mandamento, “amai-vos uns aos outros” porque no dar e receber está a sustentação da vida e o desenvolvimento plural da comunidade.

Luís de Camões não era cego na sua espiritualidade e a sua obra, Os Lusíadas, é um canto de louvor a todos esses seres que povoam o imaginário dos humanos; saíram do reino da mitologia, da obscuridade, para tomar parte num teatro universal de verdadeiros acontecimentos, perfeitamente adaptados à sua realidade, cantados em poesia na história de um povo singular que os levou nas suas angústias e naufrágios, amores e conquistas, por esse mundo fora, desbravando os mares que ¹Neptuno dominava, protegidos por Vénus bela, afeiçoada à gente lusitana, e por Marte, que da deusa sustentava entre todas as partes em porfia, ou porque o amor antigo o obrigava.

Mas o infortúnio também perseguia a lusa gente e o Adamastor, dos filhos aspérrimos da Terra, qual Encélado, Egeu e Centímano, cobrou em vidas a ousadia de tal gente cantada pelo poeta que assim agradecia às sereias do Tejo: e vós, tágides minhas, pois criado tendes em mim um novo engenho ardente.

 

Vem do fundo do tempo o tempo da deidade, que na aspérrima humana vontade se mescla para novo tempo e que no tempo se perpetua em ciclos eternos de cumprimento da divina Vontade.

No Olimpo renasce Zeus no tempo de outrora, tomando novo alento no tempo hodierno, brilha em luz áurea a figura, que em vontade cumpre a Vontade do Altíssimo como seu servo, fulgurosos são os raios que emana para condução de seus súbditos no cumprimento de leis universais; brilha Apolo em luz etérea que ao sol confunde a luminescência; Afrodite bela no tempo de agora que em beleza a tudo ofusca em amor puro e casto; em jardins floridos as hespérides alimentam e cuidam das flores da vida, de seu néctar colhido cuidadosamente alimentam as crianças enteais que despertam, futuras almas que a humana prole em condição geram; fulgurosos são os raios de Hefesto na construção do portentoso planeta Terra para condição humana, vigorosa conduta no cumprimento da Vontade; Gaia a tudo rege como senhora do planeta Terra, é mãe e devota ao Altíssimo, na sua condução os deuses a tudo se obrigam.

Passado que foi o tempo sobre os tempos, novos tempos se nos afiguram para cumprimento dos resgates do tempo de outrora.

 

È de realçar para *consulta sobre o tema, os livros que valorizam o sentido intrínseco dos “deuses”, numa abordagem mais séria e adaptada a uma nova realidade espiritual que percorre universos, aqui, no correr da palavra, os deuses tomam vida e o seu lugar junto aos homens é ressuscitado para uma nova era. Os enteais sempre estiveram presentes, os homens, no seu aparato religioso e intelectual, desvirtuaram o sentido e circuncisaram o conhecimento sobre estes diligentes construtores e mentores da obra Divina

Se até Jesus ordenou aos seres elementares dos ventos e do mar que se acalmassem:

²Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança. E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Na obra, Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal, o autor, Abdruschin, refere que:

³Nisso jaz a incomensurável grandeza de Deus, Seu Amor, Sua Justiça. Isto é, em Sua obra, que Ele legou às criaturas humanas, ao lado de muitos outros seres, como morada e pátria.

 

A nova Era desbravará o conhecimento da civilização no mais recôndito ser espiritual, num equilíbrio espirito-matéria, simbiose que se faz necessária para evolução e os caminhos dos universos não se farão desconhecidos, antes abertos por seres prestimosos que no cumprimento da Vontade a tudo conduzirão no conhecimento.

 

Alma Lusa

 

*Consulta bibliográfica:

Na Luz da Verdade – Mensagem do Graal de Abdruschin; Editora Ordem do Graal na Terra

O Círculo do Enteal, Volume III

O Livro do Juízo Final de Roselis Von Sass; Editora Ordem do Graal na Terra

Da atuação dos pequenos e grandes enteais da natureza! 1ª e 2ª parte

 

¹Lusíadas, canto I, 20;42 – Concílio dos deuses

²Mateus, 8-25;27

³Na Luz da Verdade-Mensagem do Graal, dissertação Culto! Volume I