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AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

Eras foram! Eras virão!

A realidade é séria e inexorável. Os desejos humanos não podem, a tal respeito, provocar alterações de espécie alguma. Férrea se mantém a lei: “Aquilo que o ser humano semeia, colherá multiplicadamente!”

 

Abdruschin

***

 

Dois milénios de história condicionaram a humana vontade na sua evolução comportamental e civilizacional. Anseios que a história registou em clamores débeis dos desvalidos e gritos desvairados dos poderosos numa simbiose egocêntrica de evolução cultural e espiritual.

Apesar de tudo o homem evoluiu no pensamento, iluminou-se no conhecimento, desbravou o oceano largo e a sua capacidade neural, saiu da época das trevas para a época das luzes, agigantou-se na sua formação… e manteve-se em desequilíbrio!

 

Entranhámo-nos na Era da Religião desfiando as contas de um rosário de atitudes beatíficas, condicionámos o conhecimento e a ciência em prol da condução das almas para o caminho da construção do Reino de Deus na Terra; numa mão a espada, na outra o livro sagrado, evangelizamos povos para sustento da nossa visão religiosa e dos nossos desejos e anseios, sempre no cumprimento do dever e em boa vontade.

Tornaram-se poderosas as organizações eclesiásticas deste e do outro lado, moldaram-se civilizações e povos, nasceram impérios, a Terra ficou mais pequena na proximidade humana. A intolerância, em nome de uma causa justa, sentou-se no trono da ignomínia e reinou.

Mas a humanidade não se conformou e as grilhetas da história rebentaram.

A Era da Razão nasceu, opulenta no seu conhecimento e filosofias e os protagonistas de outrora foram relegados para plano secundário, minimizados e com novo olhar para os novos tempos, perseguidos mas não derrotados.

 

Vibra a Razão, o conhecimento, a intelectualidade, a ciência faz escola nos laboratórios, a filosofia floresce, a economia desponta em novos preceitos liberais, a tudo a luz da Razão ilumina: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

Onde fica a espiritualidade?

Este grito de esperança desvanecer-se-á lentamente nas filosofias do iluminismo, liberalismo, socialismo, que não tiveram a capacidade de construir uma sociedade equilibrada para sustento do homem entre a religião e a ciência; castraram a espiritualidade do homem em nome da Razão, liberalizaram a economia em nome do progresso, socializaram em nome da igualdade, e o que resta hoje dos anseios filosóficos dos visionários do passado, prenhes de esperança e utopia?

Uma sociedade tecnologicamente evoluída e frágil, uma economia relegada ao lucro excessivo e ao poder, cheia de desperdício, um brutal atentado à natureza para satisfação de anseios egocêntricos e uma classe dirigente igual à que tinha sido destronada em nome da liberdade, da igualdade e fraternidade.

A transparência ficou ofuscada pela opacidade do ser humano intelectualizado e desprovido de espiritualidade.

 

Se a Era da Religião não ajudou a humanidade a encontrar o caminho do equilíbrio e bem-aventurança do homem em sociedade, tão pouco o conseguiu a Era da Razão.

A obscuridade espiritual continua o seu penoso caminho arrastando as grilhetas da sua vontade…

 

Dois mil anos se passaram, duas eras emolduraram a humanidade e o seu anseio de construir uma sociedade justa e equilibrada.

Virá a Era da Espiritualidade e o anseio do homem, experimentado com as suas ações do passado como património inalienável, tomará nova forma e brilhará qual farol em noite tempestuosa.

Não se tornarão vãos e vazios de sentimento e ação os pensamentos profundos que nos conduzem ao equilíbrio, “o que semeares colherás”, “ama o teu próximo como a ti mesmo” e tantas outras asseverações que nos dias de hoje são badaladas frequentemente, sem emoção, de modo intelectivo e oportuno.

O respeito pelo meio ambiente, o trabalho em prol da comunidade, a educação cívica e intelectual, não serão uma imposição por força de lei ou de práticas egocêntricas, mas um atuar de modo natural, quão natural é o correr da vida.

O homem não pode ser separado da sua espiritualidade por filosofias religiosas ou liberais, é integrante do seu eu, é ele como ser espiritual que peregrina nas planícies na procura incessante do seu destino, no cumprimento do Graal!

Uma nova realidade, uma nova geração, uma nova Era.

 

*”Não está longe a hora em que os seres humanos terão que reconhecer que não será difícil viver de maneira diversa de até agora, conviver em paz com o próximo! O ser humano tornar-se-á lúcido porque lhe será tirada por Deus toda a possibilidade do atuar e do pensar errado de até agora.”

 

Eras foram, Eras virão… e o ciclo do homem cumprir-se-á na Lei e na Vontade!

 

Alma Lusa

 

* Mensagem do Graal – dissertação “Vê o que te é útil” – Volume III