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AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

Crise!

Sombrios são os tempos em que vivemos. Por todo o lado se fala no espectro do desemprego, que nesta sociedade liberal e global significa miséria, e é real, porque as empresas e os grandes grupos económicos tomam como medida de precaução, para acautelar os seus proventos, dispensar os seus trabalhadores que constam como números nas suas folhas de pagamentos.

 
Sombrio é o presente para muitas famílias. A estrutura económica da sociedade liberal alimenta-se do consumo/produção num ciclo, que deveria ser equilibrado, de criação de riqueza e de bem-estar para todos os intervenientes com a sombra protectora do Estado no seu papel de suporte social e garante da boa funcionalidade das instituições, privadas ou públicas. A todo o custo, este Estado, tende a manter, em desespero de causa, este sistema económico que mais uma vez mostrou o quão frágil e poroso é, injectando milhões em empresas ditas falidas que por causa da ganância e da especulação se defraudaram e àqueles que nelas acreditaram e nelas labutam.
Milhões que são pagos com o dinheiro do povo em impostos, povo esse que agora paga essa factura com o desemprego, para poder manter o status dos “vampiros” que continuam a pairar sobre as suas vitimas…
 
Sombrio é o futuro para o povo que vive com o salário da ignomínia e que agora se sente ameaçado. As mudanças de regimes opressivos sempre trouxeram miséria e sofrimento, ódios recalcados e vinganças, aos povos e às civilizações.
É exemplo disso a Revolução francesa e a Revolução bolchevique, entre outras que a História guarda nas páginas do seu livro Tempos Imemoriais.
Muitas civilizações passaram, muitas mudanças de regime e a Humanidade sempre venceu as vicissitudes subsequentes, embora repetindo os mesmos erros e os mesmos comportamentos, repetindo o ciclo uma e outra vez, qual trabalho de Sísifo.
É chegada a Hora!
 
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é a Humanidade a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
 
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Humanidade, hoje és nevoeiro…
É a Hora!
 
Fernando Pessoa
 
(neste poema, “Nevoeiro”, substituí Portugal por Humanidade)
 
Alma Lusa