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AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

A lenda da moura Saluquia.

 

Corria forte tropa de cavaleiros pelas planícies do Ardila, com seus mantos brancos e pendão árabe de seu senhor, em direcção ao Castelo de Al-Manijah, guarida segura contra as constantes arremetidas dos cavaleiros cristãos, guerreiros destemidos e ávidos de recuperar as terras de seus antepassados. Comandava-a o príncipe Bráfama, guerreiro intrépido e de olhar atento ao mínimo detalhe da planície que se estendia ante si.
Esperava-o sua noiva, a bela moura Saluquia, alcaidessa do Castelo e filha de Abu-Assam, senhor poderoso do Alentejo islâmico, para as bodas, momento único na vida da bela princesa e de seu príncipe.
 
Ao longe, nuvem de pó anunciava a presença de cavaleiros. De pronto o príncipe mouro preparou-se para o combate que se avizinhava, alentando os seus guerreiros em nome de Allah.
Espadas em riste brilhando ao sol quente do Alentejo, começou a dura luta. De ambos os lados a bravura sobejava e aos poucos, um a um, os cavaleiros mouros tombavam no pó da planície, colorindo de vermelho o dourado da terra que ao longe se unia ao Guadiana.
Ardilosamente os cavaleiros cristãos trocaram os seus mantos pelos dos mouros e cavalgaram em direcção ao forte Castelo desfraldando o pendão do príncipe Bráfama.
 
Do alto da torre de menagem a bela Saluquia avistou a comitiva e o pendão familiar, e seu rosto iluminou-se de alegria e felicidade pelo seu noivo.
Mandou levantar a porta sarracena que protegia os fortes portões e de imediato abri-los para o seu amado.
Num ápice a cavalaria cristã entrou para o pátio de armas e de pronto a peleja começou para espanto dos mouros que tal não esperavam.
 
Rapidamente se recompuseram e a guarnição do castelo contra atacou com ferocidade. A bela Saluquia, que antes brilhava de felicidade, toldou seus olhos e lágrimas tristes correram pelo seu rosto. O seu amado estava morto. Do alto do eirado da torre contemplava a peleja, que em baixo sorria aos cristãos. Guerreiros tombavam, gritos enchiam os ares, uns de dor, outros de vitória…
Perante a iminência da derrota, a bela Saluquia preferiu a morte a cair nas mãos dos cavaleiros cristãos. Do alto da torre o seu esbelto corpo pairou nos ares, caindo em direcção aos seus fiéis servidores, que em baixo já repousavam. Sensibilizados, os cristãos, deram o nome de Moura ao castelo conquistado, nome que perdura até hoje, terras de Moura.
Assim, em noites de luar, a bela moura passeia no eirado da torre, perscrutando a planície em busca do seu amado e esperando saudosamente a sua volta para as bodas.
Romântica lenda que perdura nas tradições e lendas de Portugal!
 
Alma Lusa