Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

A lenda das amendoeiras em flor

 

Dos reinos árabes do sul da Ibéria, o mais ocidental, o Al-Gharb, tinha a sua capital em Xelbe, opulenta cidade, próspera e fortemente fortificada nas margens do rio Arade, porto seguro para o comércio que a partir da foz subia o rio, vindo do norte de África.
A imponência das muralhas, de pedra vermelha, tiravam o ímpeto de conquista a quem as contemplasse, tal o seu aspecto magnífico, altos muros serrilhados de grossas ameias, cortados por torres de vigia e barbacãs envolventes, escondiam a beleza de jardins frondosos e fontes de água corrente que emprestavam frescura ao calor do sol escaldante do meio-dia. Centro de cultura e arte, mãe de poetas e escritores, as suas ruas e a beleza das suas casas atraia muitos homens de negócios para o prazer e alegria; viviam felizes os habitantes da esplendorosa e forte Xelbe, o Islão era rei e senhor desta região.
 
Reinava Ibn-Almundin, jovem e guerreiro, amante das artes e da beleza. Amiúde saia com os seus guerreiros para manter afastadas as ameaças de vizinhos e invasores. Numa dessas surtidas fez prisioneiro um barco do norte da Europa com os seus ocupantes, homens fortes e de aspecto titânico, loiros e de tez branca. Uma princesa acompanhava-os, de nome Gilda. Longas tranças da cor do sol caiam sobre os seus ombros, o azul dos seus olhos rivalizava com a cor do céu do Al-Gharb, limpo de nuvens e luminoso. Impressionado com tamanha beleza ficou o jovem príncipe que de amores se tomou.
No castelo, mandou apartar dos prisioneiros a bela cativa e pô-la no Paço ao seu serviço. O tempo se encarregou de os unir em casamento. Feliz andava o príncipe com a sua amada e, mais uma vez o tempo se encarregou de toldar os olhos, outrora tão luzentes, em saudoso olhar na vastidão do horizonte. Angústia dominava o espírito do jovem que de tal saudade nada sabia. Pediu auxílio a um dos compatriotas da bela esposa, que lhe disse estar esta saudosa dos campos brancos de neve do seu País.
 
Trazer a neve para tal paraíso era impossível, dominava o sol e as temperaturas eram amenas; um pensamento repentino fez-lhe brilhar o rosto, cujo sofrimento deixara marcas, plantar amendoeiras pelos campos em volta do castelo até onde a vista abrangesse. Floriam estas na primavera e os campos ficavam manchados de branco. Ao resplandecer de um dia primaveril o jovem príncipe conduziu a sua amada para a varanda do palácio e até onde a vista alcançava os campos estavam plenos de branco. Luz e felicidade irradiou do belo rosto e a chegada da primavera era de regozijo pelo despontar das amendoeiras em flor, branqueando os campos de Xelbe, debaixo do céu azul, iluminado pelo sol.
Romântica lenda que perdura nas tradições e lendas de Portugal!
 
Alma Lusa
 
Xelbe, a pérola de Chencir, é o nome árabe da cidade que hoje é conhecida como Silves. Foi, ao tempo do Algarve islâmico, a principal cidade do Al-Gharb, bela e culta. Foi conquistada em definitivo pelos cristãos em 1189 por D. Sancho I, rei de Portugal.
Al-Gharb, significa em árabe, o ocidente, derivou para Algarve em português. O Algarve foi conquistado em definitivo para o reino de Portugal por D. Afonso III em 1249, com a tomada de Faro, actual capital da província. Foi sempre reconhecido como reino independente, mas sem autonomia; os reis de Portugal intitulavam-se de Rei de Portugal e dos Algarves.