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AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

AQUÁRIUSUL

Sou daqui deste povo que cheira a mar e sabe a fado

Grito

Silêncio!
Do silêncio faço um grito,
Que o corpo todo me dói.
Deixai-me chorar um pouco...

Sombra, à sombra,
A um céu, tão recolhido
De sombra à sombra

Já lhe perdi o sentido.

Ó céu!
Aqui me falta a luz,
Aqui me falta uma estrela.
Chora-se mais,
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu,
Sou a que o mundo perdeu.
Só choro agora
Que quem morre já não chora.


Solidão!
Que nem mesmo é sendeira,
Há sempre uma companheira:
Uma profunda amargura.

Ai, solidão!
Quem fora escorpião!
Ai, solidão!
E se mordera a cabeça!

Deus!
Já fui pra além da vida!
Do que já fui, tenho sede!
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus!
Vida que tanto duras!
Vem morte,
Que tanto tardas!
Ai, como dói
A solidão, quase loucura!

 
Amália Rodrigues